Joaquim Rodrigo construiu na década de 1950 uma abstracção, que afirmou uma vanguarda em Portugal, e experimentou um modelo materialista e redutivo para aquela. Em 1960 a sua pintura sofreu uma ruptura, este novo paradigma privilegiou a inscrição do signo como diferido da percepção “natural” e veio reclamar uma discursividade para a pintura, diversa da tautologia modernista, que reflectiu sobre o seu enquadramento histórico, político, etnográfico, em suma, cultural. A não submissão da pintura a uma unidade dos signos, códigos e espaço de inscrição, permitiu-lhe construir um método idiossincrático de articulação de heterogeneidades e as suas pinturas passaram a configurar topologias de singularidades, reunidas num espaço pictórico, que poderíamos designar de heterotópico.
Foi director do MNAC - Museu do Chiado de 1998 a 2009, conservador do Centro Cultural de Belém e curador da Ellipse Foundation. Em 2001 foi o comissário português à Bienal de Veneza. Comissariou mais de 60 exposições em diversos países, das quais se destacam as retrospectivas de Man Ray ou James Coleman, a colectiva More Works About Buildings and Food, ou Amadeo de Souza-Cardoso, Jorge Vieira, Joaquim Rodrigo, Cinco Pintores da Modernidade Portuguesa, Julião Sarmento, Ângela Ferreira, Alexandre Estrela, João Maria Gusmão e Pedro Paiva. É autor de mais de 30 publicações individuais e 18 colectivas sobre arte e artistas modernos e contemporâneos. Foi o autor do primeiro catálogo raisonné realizado em Portugal, dedicado a Joaquim Rodrigo.